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Delirium no paciente grave

  • Delirium é um distúrbio da consciência e da cognição, com desatenção e pensamento desorganizado. Clinicamente dividido em delirium hipoativo ou hiperativo.
  • Evento comum nos internados em unidades de terapia intensiva, associado a um pior prognóstico
  • Especificamente na UTI, está associado ao ambiente (isolamento, ausência de luz do dia, privação do sono) e a situações comuns como Sepse, disfunção renal, hepática, Hipoalbuminemia e alterações metabólicas. 
  • Entre as drogas, os benzodiazepínicos em infusão contínua estão mais associados à ocorrência do delirium.
  • A Fisiopatologia não é bem conhecida, mas relacionada a alterações de neurotransmissores, inflamação, resposta aguda ao stress e lesão neuronal.
  • O Diagnóstico é clínico, no entanto a simples observação clínica parece subdiagnosticar a real dimensão do problema. 
  • Inicialmente deve-se avaliar o nível de consciência pelas escalas SAS ou RASS, em seguida utilizar uma ferramenta validada para a pesquisa de delirium (CAM ICU ou ICDSC). Ambas com sensibilidade semelhantes, mas com CAM-ICU apresentando maior especificidade.
  • Uma vez diagnosticado, os exames laboratoriais devem ser pedidos de acordo com a suspeição clínica da causa ou dos fatores relacionados com o delirium.
  • A agitação psicomotora do delirium hiperativo pode causar complicações como dissincronia com a VM, aumento do consumo de O2 e o risco de extubação acidental. 
  • Na UTI, se associa a maiores riscos que devem ser avaliados ao longo da internação. O delirium persistente é um fator independente associado a maior mortalidade hospitalar. Quanto maior a duração do delirium, maior o declínio funcional, cognitivo e a mortalidade.
  • O delirium é um evento que pode ser prevenido, com redução da sua prevalência através do planejamento de estratégias. 
  • Medidas como orientação, redução da privação do sono, mobilização precoce, redução do comprometimento visual, auditivo, reconhecimento precoce e tratamento da desidratação, tratamento da dor, evitar constipação, oxigenação adequada, correção de distúrbios hidroeletrolíticos, evitar uso de BZD, são fatores que impactam diretamente na incidência.
  • O tratamento se baseia na causa, e deve ser sempre avaliada e tratada. 
  • O tratamento farmacológico só é indicado em casos de delirium hiperativo, embora ainda controverso na literatura. Pode-se optar por antipsicóticos como haloperidol e quetiapina, embora não haja evidência de benefício na literatura.
  • O uso da Dexdetomidina no controle do delirium tem sido descrito mais recentemente com trabalhos associando a um aumento do tempo livre da VM. 

TAKE-HOME POINTS

  • O delirium é um evento indesejável e muito presente na UTI, estando associado ao maior tempo de internação e mortalidade, devendo ser prevenido e reconhecido precocemente.
  • Causas infecciosas devem ser sempre as primeiras a serem lembradas.
  • Exames de neuroimagem devem ser solicitados em casos de alterações agudas de consciência e sinais focais para diagnóstico diferencial.
  • O tratamento farmacológico deve ser limitado ao controle da agitação uma vez que não reduz a ocorrência nem a duração do delirium.

Aguardem a nossa próxima postagem!


Post elaborado por:

Dr Luciano | MedGuideXP

DR. LUCIANO AZEVEDO

Médico formado pela Universidade Federal da Paraíba, com residência médica em medicina interna e medicina intensiva pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1999). Doutor em ciências médicas pela Faculdade de Medicina da USP (2004).
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Colaboração acadêmica

Guilherme Bragança

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10:01 | 12/07/2024
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